Ainda consternado pela passagem de Henri Salvador, tento achar meus arquivos perdidos.
Todo o blog do ex-Zadig no Verbeat ficou perdido. Só me resta, pois, recorrer à péssima search do M$ Windows - no que me salvam ainda esses rascunhos que transcrevo abaixo:
Aujourd´hui (*et toujours!) Henri SalvadorOu:
Louvação ao autor, compositor e intérprete francês, nascido em Cayenne em 18.julho.1917.
Citações memoráveis:
«Moi, je ne travaille pas. Je fais ce qui me plaît. Le travail c´est la santé ; ne rien faire, c´est la conserver.»[Trad. minha: «Eu, eu não trabalho: o que faço é o que me agrada. O trabalho é a saúde; nada fazer, é conservá-la.»]Um dos CD´s de Henri Salvador, presente de amigos em França, andava inalcansável pela casa afora (como meus livros, de resto, perdidos na biblioteca em desordem - o que é uma das fontes de irritação de Sherazade - nada que a leve a me arrancar o nariz, biensûr!), quer me atrasar este
courrier - sem êxito.
Mas já escrevo este diário ao som bossa-nova deste disco de 2002 e o chardonnay me refresca a alma, embaixo deste calor goianiense, obediente em disparar sua sauna particual, sempre fiel ao horário do SirNey.
"
Performance!" é um canto de amor ao Brasil: abre com "
Corcovado", de Tom Jobim adaptada em francês, por Michel Modo, para "
Bonjour et bienvenue" (...) e todo o show segue num ritmo bossa-nova até o encerramento.
Bonjour et bienvenue"
On commence la soirée...- Je vais vous interpreter Un aire que nous viens d´autre AtlantiqueIl arrive avec douceur Du pays de la langueurOù les femmes ont de saveuer poivréeDes fruits exotiques.Ces petites accords calinsVous entraîne par la mainOubliant les fracas frénetiquesLoin de fureur et des bruitsIl vient en quat´e minutesDistillée un bonheur discretDegustée sans retenueCe cadeaux de bienvenueDelicate bouffée d´oxigeneLaissons dormir l´insonoEt suingont ma nonne(?) tromboSous la baguette de ce maestroLa brésiliènne.Depuis que j´ai te connueTu ne m´a jammais deçueEt mon émotion reste la mêmeQue la soirée est belleVous êtes la fidèleJe voulait en le retrouvant iciVous dire simplementMerci, merci, merci..."....
[cantar ao som de "
Um cantinho, um violão...etc. etc.]
(transcrito enquanto ouvia, com todos os erros que a audiência ao vivo pode provocar).
....
Toco sempre por aqui e na rádio-cabeça: surtout "
Maman tu es la plus belle du monde" (trilha do inesquecível Le Huitième Jour, na voz do ...) , que não parei de sintonizar depois de rever o filme 3 vezes e ler artigo na Isto É...
Há muitos anos, ouço Henri em sucessivas ondas. A primeira e decisiva para marcar minha paixão por seu suíngue é anterior à balada de Gal Costa, ligando o suíngue do franco-cayenense (como quer Ricardo Freire) às invenções carnavalescas de Joãzinho Trinta. O que me moveu a amar todo o estilo de Henri foi uma fita cassette, enviada no fim dos anos 80 por meu correspondente no Ardèche (la France profonde, mes chers amis), o amigo Jeff Ross que conduzia lá um programa de bossa-nova e, moi, par contre ici a Goiânia, conduzia o Conexão França - ele foi minha primeira e mais importante fonte de "fitas cassette" - era a mídia da época, jeune homme, com Syracuse e outras canções memoráveis de Henri - o suficiente pra eu mandar meia-hora de especial pelas antenas da R.U...
De lá pra cá, foram dezenas de veiculações de suas canções em meu finado Conexão França (Rádio Universitária - UFG) e milhares de execuções em meus horários livres dans mon château à Goiânia.
Cent Ans de Musique Française (livro) foi minha primeira fonte de pesquisa: imperdível mas desatualizado pela constante atuação deste cantor memorável.
....
Pois bem, como este diário tem como objetivo primário divulgar fatos da amizade franco-brasileira e provocar meus onze leitores a se interessar pela cultura francesa, a ler (ou a pelo menos, correr o mouse sobre sítios franceses e francófonos, dou-me por satisfeito com este comentário. E agora, vou deixá-los com fotos e lugares de buscas interessantes sobre Henri. Comprá-lo não é fácil no Brasil mas acha-se com alguma pesquisa.
Um bom artigo no Estadão Online: "A Bossa de Henri", por Ricardo Freire em O Estadão, 24/01/01, exalta o CD "
Chambre avec Vue", que segundo o articulista foi em 2001 o melhor disco de música brasileira feita fora do Brasil.
La Bio, selon RFIOutras fonte interessantes:
El País 28/04/2001
Um
sítio imperdível, apesar de ter aquela bobeira de proibir (o que ninguém mais faz na web) de copiar fotos encontráveis em todo canto.
Algumas canções recentes.
++++
Ma chère et tendre....